Em recente entrevista a revista HSM Management número 72, o Prof. Silvio Meira do C.E.S.A.R. sediado em Recife, falou, entre outras coisas, sobre o capital empreendedor. Ele diz que o capital empreendedor tem vontade própria, ou seja, segue a vontade do detentor do capital.
Um exemplo, citado na entrevista, é o da Sequoia Capital, que, com o capital, ajudou a fundar gigantes como Apple, Cisco, Google e Youtube. O Prof. Silvio diz que independente da qualidade do produto oferecido por Sergey Brin e Larry Page (fundadores do Google), se a Sequoia não achasse que existisse uma possível mudança de mercado com a tecnologia oferecida ela provavelmente não iria aportar o capital. Segundo ele é exatamente isso que o capital empreendedor faz, identifica e busca oportunidades.
Um outro ponto levantado na entrevista é de que o capital empreendedor é local, precisa de uma base de operação perto do empreendedor, para poder acompanhar o desenvolvimento do negócio. Contudo, segundo o entrevistado esse capital “precisa ser mais distribuído”.
Foi exatamente nessas palavras que eu pensei hoje, quando estava na palestra sobre o PRIME na PUCRS com o Ricardo. O PRIME é um programa do Governo Federal feito através do Ministério da Ciência e Tecnologia que vai dar para novas empresas uma quantia de R$120.000,00 não-reembolsáveis (isso mesmo, sem necessidade de devolução), visando dar um impulso em empresas com até 24 meses de idade. Para ser contemplado, o processo de seleção é grande e com muitas particularidades (para mais informações é só acessar o site do Portal da Inovação do MCT).
Não tenho dúvidas de que um programa desses é necessário para ajudar os empreendedores brasileiros que, como já foi dito aqui nesse blog antes, iniciam suas empresas mais por necessidade do que por oportunidade e isso não se traduz em empresas bem planejadas, mas existem alguns pontos que eu acho que esse programa é falho.
Em primeiro lugar, dentre as premissas de gastos do dinheiro está a obrigatoriedade de contratação de um Gestor (com carteira assinada e não pode ser nenhum dos sócios da empresa) com uma carga horário de no mínimo 20 horas semanais. Isso pode propiciar a criação de empregos para os chamados “laranjas”. Por outro lado, as incubadoras (órgãos locais que irão participar da seleção. São 17 incubadoras no total. Aqui no RS temos duas a RAIAR - PUCRS e a CI – UFRGS) irão fazer visitas freqüentes nas empresas para acompanhamento dos gastos de acordo com o que foi descrito no projeto enviado para a seleção.
Outro ponto é que o programa se dedica somente ao aspecto gerencial, já que foi comprovado que as novas empresas pecam justamente nesse quesito, fato que eu concordo plenamente, mas acho que uma parte dos recursos deveria ser dedicada para a compra ou financiamento de máquinas ou matéria-prima para a produção da inovação.
Com problemas ou não, essa iniciativa deve ser saudada e só podemos esperar que novos projetos como esse sejam criados ou que mais empresas como a Sequoia continuem a apostar nos empreendedores. Claro que isso exige, cada vez mais, um plano de negócios detalhado e um planejamento estratégico muito bem feito para que a empresa esteja preparada para buscar essas oportunidades, mas isso é assunto para outro post...
Um abraço,
Roberto Nonohay
quinta-feira, 2 de abril de 2009
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